6.18.2015

foi  de silêncio o último poema que não fiz
pois é na pausa que  habita o mais singelo verso

da falta repleta de subtextos
da página branca 
do infinito de possibilidades

sem rimas pobres ou palavras fáceis
o poema que não existiu ecoa

irresistível aos seus olhos
música plena em seus ouvidos








6.05.2015

Cérebro

Miolo de noz,
foz que desagua sentidos.
Maestro da orquestra que me toca.

Em seus hemisférios duelam a razão e a emoção,
como em um baile de máscaras 
onde sapateiam mistérios e poderes infinitos 





5.11.2015




de todos os mistérios que guardo
talvez todos inexistam,

pois os segredos são invenções do desejo.

Minto  aceitá-los reais,
finjo tê-los,
sê-los perigosos,
mas não são nada além de inverdades ocultas.

Por detrás do véu não há nada.
Porém, antes de retirá-lo, há tudo que se permite imaginar.

Quando o  indizível instiga,
o invisível é revelador




2.03.2015

A dimensão do desejo

Nos encontramos em sonho outra vez
Se marcamos ou não, talvez nunca saberemos

Eu e você,
espectros inconscientes
enamorados em outra dimensão

Vivendo uma trama irresoluta
repleta de anseios e possibilidades

Onde acordar é despedir-se sem adeus









1.21.2015

Teoria do Quase

Na equação do quase dizer
restam silêncios ensurdecedores
e o assassinato da palavra não dita

Na equação do quase fazer
diminuem-se as chances
acumulam-se vontades e frustrações
multiplicam-se as incertezas de um talvez

O quase é a potência do não feito
a soma de modos subjuntivos
o limite do fracasso
a face oculta da covardia