7.31.2011

Se eu tivesse uma história pra contar, dessas que se esbarra com elas pelos botecos, pelos salões, esquinas  e ruas da cidade e tivesse ocupado nelas toda minha atenção, olhos e ouvidos, talvez minhas letras ornariam melhor estes espaços brancos. Não estaria aqui  inventando  palavras para expressar .
São gotas esparsas os fios de memória e quando precisam virar palavras, na maioria das vezes, já escorreu breve o sentimento. Fugidio, inconstante pensamento. E a poesia das horas prefere ficar no momento e só. Irreprodutível .
Fogem-me quando precisam virar forma. Como quem pede pra ser nada, além de breve e real. Não há ficção que dê conta do banho de realidade acumulado dos dias.
Os pesos da vida.
Ainda assim, queria muito uma história pra contar, daquelas que ouvi, vi , daquelas que criei e que só existiram em mim. Desses recortes disformes  de experiências vividas,  transformados em sedutora arte e capazes de libertar almas.