11.07.2011

CERTAS PALAVRAS


Eu não sou de jogar qualquer palavra fora
                                          a palavra fere
                                     se a  palavra pede um pouco mais de calma
                                          a palavra pode


A palavra é cara
perigosa e rara
a palavra que causa a dor de quem ouve
a palavra certa

A palavra sede
a palavra fome
a palavra consome a dor de quem ouve
a palavra acerta



Eu não sou de jogar qualquer palavra fora
                                           a palavra fere
                               quando a palavra pode
                                           a palavra pede um ponto ou uma pausa


8.30.2011

Mise en Scene Mise en troppo

copia faces
e ainda não sabe quem é
pernoita no medo, no risco, na sorte

imóvel diante do espelho

na ponta do ego
um remanso de pernas pro ar

doa seu corpo ao mundo
pele, dentes, suor

diriam vagabundo
não houvesse a alcunha de ator

8.27.2011

Mise en scene mise en troppo




Fala sozinho
roendo silêncios
clamando em tom oratório
aos cantos
em versos de poema em primeira pessoa

busca rimas pra melodias
verdade pra  amores inventados
finais pra estórias sem fim

ecoando imagens dispersas
em um monólogo de poucas palavras

ele e o silêncio
criando meias realidades
pra dispersar  realidades inteiras

esquizofrênico
não houvesse a  alcunha de poeta

8.26.2011

uma grande baleia iluminada estaciona todos os dias em minha janela
e canta cantigas sempre tão inspiradas que embalam meus sonhos vespertinos




7.31.2011

Se eu tivesse uma história pra contar, dessas que se esbarra com elas pelos botecos, pelos salões, esquinas  e ruas da cidade e tivesse ocupado nelas toda minha atenção, olhos e ouvidos, talvez minhas letras ornariam melhor estes espaços brancos. Não estaria aqui  inventando  palavras para expressar .
São gotas esparsas os fios de memória e quando precisam virar palavras, na maioria das vezes, já escorreu breve o sentimento. Fugidio, inconstante pensamento. E a poesia das horas prefere ficar no momento e só. Irreprodutível .
Fogem-me quando precisam virar forma. Como quem pede pra ser nada, além de breve e real. Não há ficção que dê conta do banho de realidade acumulado dos dias.
Os pesos da vida.
Ainda assim, queria muito uma história pra contar, daquelas que ouvi, vi , daquelas que criei e que só existiram em mim. Desses recortes disformes  de experiências vividas,  transformados em sedutora arte e capazes de libertar almas.

5.07.2011

palco pano sem fundo

as figuras embaralhadas do último jogo se confundem,
homens, mulheres, peças de uma peça qualquer.

o último tropeço do palhaço antes da queda fatal,
desenha o riso trágico no constrangido silêncio.

A bailarina pendura-se no primeiro sonho e gira, gira...
enquanto um violino desafina em tom de tédio.

PEDRA D' AGUA - RAPOSOS - MG - Trabalho de conclusão do curso de pós-graduação em Cinema - PUC-MG

1.05.2011

se não me atualizo
me desvirtualizo

parada cardiovirtual
desvio, desconecto
nada envio

o tempo é tecla imóvel
a espera de inspiração