3.03.2010

Anoiteceu todo por dentro.
Rompeu a barreira do tempo e espaço.
Está e não está.
Perdeu-se no último instante.
Talvez se encontre
em uma gaveta de páginas,
junto às letras amarrotadas que o deixaram assim,
a ponto de não existir.


Na cabeceira um livro,
páginas,
olhos e solidão.
Um espelho refletindo
lágrimas,
olhos e solidão.


Um grito surdo lançado num céu
infinito
de possibilidades.
O espelho,
infinito,


escrevia no vulto,
olhos de esperança
E o fundo do último poço
reluzia
olhos de esperança.


Foi como saltar sobre si mesmo
e banhar-se de luz,
curando restos de embriaguês.

E as mesmas palavras que pesavam o papel
soaram leves
e o corpo inerte se fez verbo.