12.08.2010

Da série: Letra pra sua canção

e algum deus abriria mão da infinitude de um anjo
da imortalidade, eterna idade, pra provar que alma não é rasa
e algum homem vai provar ao fim de tudo que um anjo está em suas mãos

de sonhos imperfeitos anjo, homem

e algum dia vai sonhar que um dia um sonho fez a vida parecer pequena
alguma vida intensa, o corpo mente e lembra de viver

suas as asas já não voam, anjo bom

10.04.2010


Chão de nuvens,
armadilhas no céu,
sem asas de Mercúrio
mergulho
em queda livre.
Ou morro
ou aprendo a voar.



8.19.2010

Segue disforme o rosto,
posto que o moço desaprendeu a olhar.
Desconhece, desvia a cabeça ao passar
a silhueta morena,
molhados olhos inchados,
sem códigos.
Só curvas e tatuagens
indecifráveis...
... ardentes.
Na última dança,
desejou-a inteira ,
de verdade,
qual fosse a verdade
por detrás da máscara.
A moça falseava os passos
presa a mesma sorte
do desconhecido.
Seguiram virtualizando mentiras,
olhos mudaram de cor,
faces de humor
e se flertaram, mais uma vez
no desencontro

8.17.2010

Da série: Letra pra sua canção

duradouro som
sofrimento vão
infinito dó
letra sem canção

moro no fundo rua
onde a lua esconde ao amanhecer

choro porque é minha e sua
a mesma verdade, a mesma vontade de esquecer

a letra, o som, a canção

3.03.2010

Anoiteceu todo por dentro.
Rompeu a barreira do tempo e espaço.
Está e não está.
Perdeu-se no último instante.
Talvez se encontre
em uma gaveta de páginas,
junto às letras amarrotadas que o deixaram assim,
a ponto de não existir.


Na cabeceira um livro,
páginas,
olhos e solidão.
Um espelho refletindo
lágrimas,
olhos e solidão.


Um grito surdo lançado num céu
infinito
de possibilidades.
O espelho,
infinito,


escrevia no vulto,
olhos de esperança
E o fundo do último poço
reluzia
olhos de esperança.


Foi como saltar sobre si mesmo
e banhar-se de luz,
curando restos de embriaguês.

E as mesmas palavras que pesavam o papel
soaram leves
e o corpo inerte se fez verbo.