8.24.2008

Poeminha para lê-lo

Deixo códigos
pra quem quiser decifrar.

Já era tarde quando lhe deram o aviso final.

Seus olhos reagiram alegres e ele se deixou ir.
Seguiu o itinerário do ponto final ,
sem angústia, sabia que iria retornar.

Quebrem-se os códigos.
O que era lei não será.

A fumaça turvou seus sonhos de agora e já não podia gritar.
Sussurrou um sorriso leve,
de desejo e saudade.
Criem-se novos,
mude tudo de lugar.

Brincou de viver, na ciranda que vai e volta.
Não se cansa de rodar.

E de novo meu signo se rende ao teu olhar
Me veja, me leia, me beija,

sou a letra solta,

soletre um nome qualquer para me identificar.

E a noite partiu como quem

se funde ao breu,
e aguarda um novo amanhecer,
deixando de ser,
para sempre,
o mesmo de ontem.

8.22.2008

Inundo de restos minha rua.
Por onde falham meus pés
existem buracos tão infinitos
que me deixo cair atordoado.
Restos de mim enchem caixas, gavetas, memórias e corações.
Acumulo o mundo nos bolsos e o esqueço ou perco pelos cantos.
Logo levanto e sigo a diante,
vagando em novas trilhas,
tropeçando em resquícios de obras inacabadas.
Poeira amontoada que o tempo engole
e o vento leva daqui pra lá, de lá pra cá...

8.08.2008

A Namoradeira, Janela Virtual ou Olhar alheio


“...Devagar as janelas olham, eta vida besta meu Deus.”
Carlos Drummond de Andrade

Aquela dona saiu da janela.
Cansou da vida dura de olhar a rua passar.
Prefere agora o conforto da sala de estar.
A vista permanece lá.
mas sua janela nunca mais foi a mesma,
nem ela.

se do seu olhar sair o meu
ousaria revelar-te
projetado em sua retina
que tudo que nele brilha
ofusca pensar um dia
em deixar de ser seu