4.22.2008

Naquela noite, mesmo que do céu pulassem gotas suícidas na tentativa de renascerem em outra vida, não haveria uma única probabilidade, além desta, de se encontrarem e seus olhos se permitirem mais que alguns segundos de revelação. Um relance onde vidas inteiras não se permitem conhecer. Uma luz se aproxima. Eles nunca mais se veriam. Cada um seguiria um curso do rio, desaguando no mesmo, mas caótico mar. Um brincalhão destino fantasiado de acaso pôs-se a dançar em sua frente, rodopiando feito relógio e o deixando minúsculo diante do tempo. Ele olha pro alto e sorri, aceitando sua condição e achando-se o mais nobre dos homens por reconhecer sua ignorância. Ela se foi no último vento. Deixe ir, pensou, quando o farol do carro fez-lhe acordar e continuar a atravessar a rua.

4.08.2008




paisagem trêmula
olhos vorazes
varrem o pensamento
imagem
ofegante de luz
um suspiro no corte
o desejo da pausa
anúncia o clímax
e em um mistério de cores
pálpebras cerram solenes
o instante de sedução