6.28.2007

Toca menino


Fé, fascínio, faz sineiro

pé descalço, menino, batuque, terreiro

Do alto da torre o céu inteiro faz tremer


Se o céu soubesse que eu não sei rezar

Trovoaria, o sol seria frio, o céu ia chorar

Choro, pranto, tanto quanto choro e canto a minha dor

Do céu soou o sino, salve o som do tambor


Toca menino, toca menino o badalo.


Se o céu soubesse que minha oração ecoa nesse som

pingava estrela nesse choro e tudo ia mudar de tom

de tantas quantas cores fosse a voz rouca do tambor

repica o sino, badala menino o som da sua cor.


Toca menino, toca menino o badalo.

Licença poética

Eu convidei a poesia pra sambar
ela negou e disse: nego, eu não vou, não sei dançar,
tropeço nas cordas do cavaquim,
rimo tambor e tamborim,
mudo o surdo de lugar.
Erro o compasso perco o traço do meu verso,
com licença, me dispeço, fazer feio eu não posso,
hoje eu não vou no bar.
Vaidosa, já está virando prosa,
então fique no rascunho
que o pandeiro no meu punho
ritmado vai tocar.
Poesia não se meta a besta,
hoje é sexta-feira é dia de sambar